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Oração das Poderosas!!!

 Oração das mulheres bem resolvidas 
Que o mar vire cerveja e os homens, tira gosto; que a fonte nunca seque,e
 que a nossa sogra nunca se chame Esperança, porque Esperança é a última
 que  morre… 
Que os nossos homens nunca morram viúvos, e que nossos  filhos tenham pais
 ricos e mães gostosas! 
Que Deus abençõe os homens bonitos, e os feios se tiver tempo;
 Deus… Eu vos peço sabedoria para entender um homem, amor para perdoá-lo e
 paciência pelos seus atos, porque Deus, se eu pedir força, eu bato nele até
 matá-lo.
 Um brinde… Aos que temos, aos que tivemos e aos que teremos. 
Um brinde também aos namorados que nos conquistaram, aos trouxas que nos
 perderam e aos sortudos que ainda vão nos conhecer!
 *Que sempre sobre, que nunca nos falte, e que a gente dê conta de todos*! 
                                              Amém. 
  "Homens são como um bom vinho. Todos começam como uvas, e é dever da mulher
 pisoteá-los e mantê-los no escuro até que amadureçam e se tornem uma boa
 companhia pro jantar."
  Obs; Como não tenho religião oficial adotei essa oração pra ocasiões especiais!!! 
 
   
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Relembrando… Eu também sei que não devia…

Eu sei, mas não devia

  Que em 2009 eu me lembre cada vez mais do que não devo…

                              bjcasamorosas pra tds… eu.

Marina Colasanti

 

Eu sei que a gente se acostuma.Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor.Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

 

 

Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado.Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant’Anna.

 

O texto acima é mais uma colaboração de Francisco Panizo Beceiro, extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.  

   
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Uma Declaração de Amor- Poesia

Uma declaração de Amor

               Inezalves

Quantas vezes o amor doeu- muitas.

Quantas vezes eu recuei- nunca.

Me perdi, me reencontrei…

Estendo a emoção e o corpo

Pronta pra servir ao coração

Mesmo no meio do sim e do não

Pra que valha a pena essa lida.

Eu quero o amor a serviço da vida

Eu quero a paixão encontrando saídas

Entre beijos, olhares, flores e sorrisos…

Atiro no escuro, ainda que o gesto me doa,

Mas não me recolho desse vôo: Me lanço.

O medo da noite não impede a caça

No brilho dos olhos certeiros da coruja

Por isso vou medindo meus passos

Intuindo trilhas, deixando pistas

Ocupando espaços no seu abraço.

Amar assim, nestes tempos de agora

É estar no centro de mim: redemoinho

Piso firme em nuvens ligeiras

Sei de mim, não sei de ti…

Mas entrego meu coração aqui.

Com leveza e certeza

De que o amor não é só meu

E que, o que importa na vida

É viver, é amar, é mudar

É neste instante se entregar…

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Rubem Alves … Inspirador !!!!

  – Não resisti  a grandeza desses dois textos e compartilho com vcs…

                         Bjcaspratds…  inezalves                      

 

Tênis e Frescobol

                

*Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: há os casamentos do tipo ‘tênis’ e há os casamentos do tipo ‘frescobol’. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e

terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico-me.*

*Para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente.

Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta:

Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?’.

Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar..*

*Scherazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, e terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente: terminam na morte. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa

sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música.*

*A música dos sons ou da palavra é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E, contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo…’. Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo’ não quer dizer mais nada’. É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. *

 

*O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada – palavra muito sugestiva – que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais

continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado.

Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra – pois o que se deseja é que ninguém erre. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos… A bola são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras.*

*Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá… Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada.. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão… O que se busca é ter razão, e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.* *Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O

bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem cresce o amor… Ninguém ganha, para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…’

                    ——————————————————————————————————— 

                            Homossexualidade e outros pecados…

 

                                                      Rubem Alves – 30/09/2008 

 

Cristãos fundamentalistas são os que acreditam que as sagradas escrituras foram ditadas diretamente por Deus e que, por isso, tudo o que nelas está escrito é sagrado, verdadeiro e deve ser obrigatoriamente obedecido para sempre. A verdade divina está fora do tempo. Aquilo que Deus comandava há 3.000 anos é válido para hoje e para todos os tempos futuros. 

Digo isso a propósito de uma carta dirigida a Laura Schlessinger, conhecida locutora de rádio nos Estados Unidos que tem um desses programas interativos que dá respostas e conselhos aos ouvintes que a chamam ao telefone. Recentemente, perguntada sobre a homossexualidade, a locutora disse que se trata de uma abominação, pois assim a Bíblia o afirma no livro de Levítico 18:22. Um ouvinte escreveu-lhe então uma carta que vou transcrever:

 

"Querida doutora Laura, muito obrigado por se esforçar tanto pra educar as pessoas segundo a lei de Deus. (…) Mas, de qualquer forma, necessito de alguns conselhos adicionais de sua parte a respeito de outras leis bíblicas e sobre a forma de cumpri-las: gostaria de vender minha filha como serva, tal como o indica o livro de Êxodo 21:7. Nos tempos em que vivemos, na sua opinião, qual seria o preço adequado?

 

O livro de Levítico 25:44 estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que não sejam adquiridos de países vizinhos. Um amigo meu afirma que isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Será que a senhora poderia esclarecer esse ponto? Por que não posso possuir canadenses?

 

Sei que não estou autorizado a ter qualquer contato com mulher alguma no seu período de impureza menstrual (Levítico 18:19, 20:18 etc.).O problema que se me coloca é o seguinte: como posso saber se as mulheres estão menstruadas ou não? Tenho tentado perguntar-lhes, mas muitas mulheres são tímidas e outras se sentem ofendidas.

 

Tenho um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro de Êxodo 35:2 claramente estabelece que quem trabalha aos sábados deve receber a pena de morte. Isso quer dizer que eu, pessoalmente, sou obrigado a matá-lo? Será que a senhora poderia, de alguma maneira, aliviar-me dessa obrigação aborrecida?

 

No livro de Levítico 21:18-21 está estabelecido que uma pessoa não pode se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito na vista. Preciso confessar que eu preciso de óculos para ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para que eu me aproxime do altar de Deus?

 

Eu sei, graças a Levítico 11:6-8, que quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. Acontece que adoro jogar futebol americano, cujas bolas são feitas de pele de porco. Será que me será permitido continuar a jogar futebol americano se usar luvas?

 

Meu tio tem um sítio. Deixa de cumprir o que diz Levítico 19:19, pois que planta dois tipos diferentes de semente ao mesmo campo, e também deixa de cumprir a sua mulher, que usa roupas de dois tecidos diferentes -a saber, algodão e poliéster. Será que é necessário levar a cabo o complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-la? Não poderíamos queimá-la numa reunião privada?

 

Sei que a senhora estudou esses assuntos com grande profundidade de forma que confio plenamente na sua ajuda. Obrigado de novo por recordar-nos que a palavra de Deus é eterna e imutável".

 

Rubem Alves,Escritor, Psicanalista, Doutor em Filosofia, Doutor em

Teologia, Educador (e muito inspirado…)*

 

     

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Um Pouco de Paixão Faz Bem…

                    Um Pouco de Paixão faz Bem…

 

 A Paixão é um sentimento que sofre há séculos de muito preconceito, apesar de mover o mundo, e ganhou socialmente uma imagem de algo “menor, perigoso, passageiro" de menor valor em relação ao Amor. Como se pudéssemos chegar ao amor, sem ter vislumbrado a paixão. Como se o Amor, não pudesse ser a coroação, o ápice, a conclusão de uma paixão. Como se Jorge Amado "existisse" sem Zélia Gatai…

 Esses pré-conceitos  sobre a paixão, sempre foram colocados como um aviso de que não devíamos nos apaixonar, pois os sentimentos amorosos eram vigiados de perto pelos meios familiares e sociais, e até hoje é assim. Então, para um mundo machista que exercia o domínio nas relações, e ainda o faz ou tenta fazê-lo, mulheres apaixonadas são um perigo.” Pois são emocionais e capazes de fazer besteiras". Por mais que as novelas e filmes nos incitem a apaixonar isso tem um preço e é perigoso.

 

  Concordo, claro que a paixão é perigosa, pois ela nos convoca a revisar e contrariar a ordem estabelecida. Se uma mulher solteira/casada se apaixona por um homem casado/solteiro, ou o contrário, isso abala os compromissos e deveres até então estabelecidos , gera conflito nas relações e compromete o que socialmente se aceita como bom senso e manter as coisas em ordem. A família para existir quer ter a certeza da permanência, “papai com mamãe pra sempre”. Não se valoriza os sentimentos, mas os deveres e os direitos assegurados pelo casamento que… pasmem, devem ser eternos.  

  Diante disso, a paixão se acontecer gera caos, pois dentro de uma relação que pretende ser duradoura até envelhecer e caducar não é aceito viver paixões paralelas ou ocasionais. Exceto, se for mantida discretamente e com uma dose de culpa.

Daí, a necessidade de todas as válvulas de escape possíveis, muitas mentiras e traumas gerados pelas descobertas das escapadas do traidor.

Pobre da paixão que vive no meio dessa incompetência humana ao lidar com sentimentos tão vitais. A paixão é um sentimento fundamental para movimentar a vida, gerar novas descobertas e reciclar o lixo emocional mofado que nos apodrece ou enrrijece… 

Por paixão é que se faz guerra ou amor, arte ou desastres, ela é o mal e o bem, dependendo de quem e como usamos a paixão.  Quando se tem paixão é o primeiro sinal de vitalidade da alma, pois o que nos apaixona nos faz visitar nossas reais necessidade e questionar o que esta estagnado dentro de nós. Toda  paixão deve ser reconhecida, se possível vivida até esgotar suas lições. Um dia ela poderá ser lembrança, memória ou fonte da vontade de renovare recomeçar…  

Evitar ou não viver a paixão é sempre um prejuízo, pois vai usar a razão para explicar e justificar, e o corpo registrará isso como frustração, medo ou raiva.O que estamos sentindo é pra ser reconhecido, se não quisermos viver e  aproveitar a experiência, no mínimo têm que ser acolhida e transformada senão vira doença emocional, mental ou física.   

 Por isso, eu sugiro que parem de ter medo de se apaixonar…seja virtual ou real, por arte, bicho ou gente. Se não tiver um paixão, Invente !!!

 Fale desse sentir sem medo nem preconceito…

Deixe seu coração mais solto, tome cuidados com quem

precisa de cuidados, mas seja verdadeiro com seu sentimento.

Pois ignorar que esta apaixonado, ou evitar que isso aconteça

por medo de mudanças, não garante nem a estabilidade nem

a felicidade de ninguém. Pode ser , que no futuro seja apenas

um motivo para culpar a si mesmo ou ao outro pela sua própria

infelicidade.   Pense nisso   !!!!

 

              Inêz Alves-  Terapeuta 

 

    
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Grandeza de Alma…

 
   Obs: Este texto não pretende explicar, nem convencer.
     É apenas uma contribuição para ampliar nossa capacidade de evolução e
      entendimento da grandeza da alma de quem ja chegou lá.
                              Bjcascompreensivas pra vcs…       Inez
Texto de Danielle Miterrand, esposa do ex-presidente François
Miterrand, ao povo francês, após ter recebido críticas impiedosas por ter
permitido a presença da amante do marido e de sua filha, Mazarine, na
cerimônia fúnebre.

 "Antes de mais nada devo deixar claro que não é um pedido de
desculpas. Muito menos um enunciado de justificativas vãs, comum aos covardes
ou àqueles que vivem preocupados em excesso com a opinião dos outros.
 Aos 71 anos, vivendo a hora do balanço de uma existência que é um
sulco bem traçado e profundo, já não mais preciso, e nem devo, correr atrás
de possíveis enganos.
 Vivo o momento em que as sombras já esclarecem e que as ausências
são lindas expressões de perenidade e criação.
 Sombras e ausências podem ser tudo, ao passo que luzes e
presenças confundem os mais precipitados, os mais jovens.

 Vivi com François 51 anos; estive com ele em muito desse tempo e me
coloquei sempre. Há mulheres que não se colocam, embora estejam; que não se
situam embora componham o cenário da situação presumível.
 Uma vida de altos e baixos.
 Na época da Resistência nunca sabíamos onde iríamos passar a noite
 se na cama, na prisão, nos bosques ou estendidos por toda a eternidade.
 Quando se vive assim em comum, cria-se uma solda e a consciência de
que é preciso viver depressa. Concentrar talvez seja a palavra.
 Por isso tentei entendê-lo, relacionar-me com sua complexidade, com
as variações de sua pessoa e não de seu caráter…
 Quem entende ou, pelo menos luta para compreender as variações do
outro, o ama realmente.
 E nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou.
 Não nos enganamos, nos confundimos quando nos perdemos da
identidade vital do parceiro, familiar ou irmão.
 Ou jamais os conhecemos, o eu também, não é um engano. Quem não
conhece, não tem enganos.
 Nas variações do outro, não cabe o apaziguador que destrói tudo
antes do tempo em forma de tranqüilidade. Uma relação a dois não deve ser
apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não, enfastiada.
 Nessa complexidade vi que meu marido era tão meu amante quanto da
política.  Vi, também, que como um homem sensível poderia se enamorar, se
encantar com outras pessoas, sem deixar de me amar.
 Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo.

É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar
apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma
diferente. Não somos o centro amorável do mundo do outro. É preciso
aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor como
mais uma gota d’água que se incorpora ao nosso lago.
 Simone de Beauvoir dizia bem, que temos amores necessários e amores
contingentes ao longo da vida.
 Aceitei a filha de meu marido e hoje recebo mensagens do mundo
inteiro de filhos angustiados que me dizem:
 – "Obrigado por ter aberto um caminho. Meu pai vai morrer, mas eu
não poderia ir ao enterro porque a mulher dele não aceitava".
 É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento,
comum aos moralistas, aos caluniadores e aos paranóicos azedos que teimam
em sujar tudo.
 Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e
amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas
paixões.  Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo" .

    

 

     

          
          
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